Enviámos uma carta ao provedor do Público no dia 2 de Maio, detalhando os problemas graves que temos divulgado neste blogue. Compreendemos que a resposta do provedor possa demorar, dado o tamanho e complexidade do problema. Mas o problema é inegável.
Exceptuando uma resposta-tipo a leitores indignados que já reproduzimos aqui, não houve nenhuma reacção visível do Público. A colecção continua à venda sem qualquer aviso ou nota.
Tratando-se de um jornal, o mais grave é não ter havido qualquer notícia sobre o assunto. Porque não se publicou um artigo como este? No caso do alegado plágio de duas teses de mestrado por Carlos Moura-Carvalho, director de Cultura da Câmara Municipal de Lisboa, o Público fez o correcto: investigou o caso; procurou declarações dos envolvidos; publicou excertos que permitem aos leitores verificar por eles mesmos os problemas.
Sem prejuízo da resposta do provedor, o Público deveria comportar-se como o jornal que é.
Este caso situa-se na intersecção da ética deontológica de quatro áreas: o jornalismo, a edição, a academia e o design. Um objecto produzido neste âmbito deveria honrar a ética disciplinar de todas estas áreas. Deveria ser uma sobreposição. O jogo de passa-a-batata-quente demonstra que se tornou numa subtração: não é jornalismo porque o Público só distribui (passa a responsabilidade para a editora, mas continua a distribuir); a editora 100 Folhas passa a responsabilidade para a escassez de papel ou a «economia das palavras» (apesar de evidentemente incapaz de resolver os problemas, continua a editar); o autor, apesar da responsabilidade explícita nessa designação, também não é responsável por nada.
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